Dicas de temas de atualidades que vale a pena rever, são datas históricas que fazem aniversário...
1714• Fim da Guerra dos Mascates
1814• Nascimento de Mikhail Bakunin (anarquista)
• Falecimento de Aleijadinho
1824• Constituição de 1824• Confederação do Equador
1834• Ato Adicional de 1834
1844
• Tarifa Alves Branco (protecionismo alfandegário)
1854* Inauguração da primeira ferrovia do Brasil (feita pelo Barão de Mauá)
1864• Primeira Convenção de Genebra
1889• Proclamação da República• Inauguração da Torre Eiffel• Nascimento de Hitler• Nascimento de Salazar
1894• Prudente de Morais é eleito presidente
1904• Nascimento de salvador Dali• Nascimento de Deng Xiaoping
1914• Início da Primeira Guerra Mundial• Venceslau Braz chega à presidência
1919• Tratado de Versalhes• Nascimento de João Goulart• Nascimento de Evita Perón
1924• Nascimento de Jimmy Carter• Nascimento de George Bush (“pai”)• Falecimento de Lenin
1929• Crise de 29• Tratado de São João Latrão (Roma passa a ser oficialmente da Itália / criação do Vaticano)• Exílio de Leon Trotsky• Nascimento de M. Luther King• Nascimento de Yasser Arafat
1934• Constituição de 1934
1939• Início da Segunda Guerra
1944• “Dia D” (Desembarque dos Aliados na “Normandia”)
1949• Criação da OTAN• Revolução Chinesa• Divisão da Alemanha em República Democrática Alemã (Oriental) e República Federal da Alemanha (Ocidental)
• Nascimento de Collor
1954• Suicídio de Getúlio Vargas• Nascimento de Hugo Chávez
1959• Revolução Cubana
1964• Golpe Militar• Criação da OLP (Organização pela Libertação Palestina)
1969• Médici assume a liderança do governo militar• Falecimento de Costa e Silva
1974• Geisel assume a liderança do governo militar• Revolução dos Cravos (Portugal)• Renúncia de Nixon nos EUA (Watergate)
1979• Figueiredo assume a liderança do governo militar• Lei da Anistia Geral e Irrestrita• Chegada ao poder por Saddam Hussein no Iraque• Revolução Iraniana• Margaret Thatcher assume o posto de primeira-ministra
1984• Início do movimento “Diretas Já”
1989• Morte de Salvador Dali
1994• Eleição de FHC• Eleição de Mandela na África do Sul• Acordo de paz entre Israel e Palestina (acordo assinado em Cairo, Egito)• Falecimento do paisagista Burle Marx• Falecimento de Tom Jobim• Falecimento de Pedro Collor de Mello
2004• Atentados em Madri
Mostrando postagens com marcador #leiturafuvesteunicamp. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #leiturafuvesteunicamp. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 10 de junho de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Resumo e Ficha de Leitura - Vidas Secas!
Assunto: Vidas Secas - Graciliano Ramos
A família de retirantes, formada pelo vaqueiro Fabiano, Sinhá Vitória, dois filhos e a cachorra Baleia vara o sertão nordestino a procura de um lugar melhor. Desalentados pela fome e o cansaço, arrastam-se pelo solo empobrecido pela seca, levando consigo o pouco que lhes resta.
O filho menor cai, sem forças para continuar e o pai, irritado, coloca-o nas costas, penalizado com a condição da família. Procura saciar a fome, sacrificando o papagaio e o preá caçado por Baleia.
Invadem uma fazenda abandonada, onde, aliviado, Fabiano se julga homem, para, em seguida, considerar-se mais um “bicho”, capaz de vencer todas as dificuldades.” Passou a tomar conta de casa alheia, do gado que restava, entendendo-se com os animais e empregando a mesma linguagem restrita a grunhidos e monossílabos, para comunicar-se com os parentes.
Quando o dono da fazenda retorna, expulsa a família do vaqueiro, que se mostra prestativo e humilde e acaba conquistando a vaga de capataz.
Um dia, Fabiano vai à cidade fazer compras e, quando toma uma cachaça em um bar, é convidado para um jogo de cartas por um soldado amarelo. Perde todo o dinheiro e sai da partida acabrunhado. O soldado, dizendo-se ofendido, pelo abandono brusco do carteado, acaba ocasionando a prisão do vaqueiro, onde é impiedosamente surrado sem Ter como defender-se, amargando a revolta.
Sinha Vitória, que não consegue realizar seu sonho de possuir uma “cama de lastro de couro”, um dia revolta-se com a rotina doméstica, os filhos e a cachorra Baleia. Mas , em seguida, resolve conservar as esperanças, imaginando diversas maneiras de obtê-la, tornando-se quase feliz.
Ao chegarem as chuvas de inverno, a família se reúne ao redor do fogão para se aquecer. É quando as crianças ouvem a conversa monossilábica e confusa dos pais, sem poder entendê-los, porque a escuridão impede de observar seus gestos e expressões.
Enquanto Fabiano vê afastado o perigo da seca, Sinhá Vitória teme o perigo da enchente.
No Natal., a família, em trajes de passeio e calçando sapatos, vai à cidade. A sensação de desconforto gerada pelas roupas e calçados apertados aumenta quando, comparados aos tipos da cidade, sentem-se inferiorizados. Os meninos e a cachorra se mostram amedrontados em meio à multidão, enquanto sinhá Vitória participa da missa e Fabiano procura um bar para embebedar-se e assim, superar a humilhação.
Na fazenda, Baleia adoece e Fabiano se vê obrigado a sacrificá-la. Com o episódio de sua morte, fica clara a condição humana a que fora alçada a personagem pelos membros da família, que sentem a perda como a de um ente querido.
Ao acertar as contas com o patrão, Fabiano sente-se lesado, mas aceita passivamente a justificativa de que a diferença era por juros devido a adiantamento recebido. Fabiano se revolta, mas não reage.
As aves em partida anunciam a proximidade de nova seca. Os animais começam a tombar de fome e sede. Com medo do futuro, Fabiano começa a pensar no soldado amarelo e no dono da fazenda, a quem identifica como “governo”. Revoltado com sua impotência, julga-se um “cabra safado”.
Com a chegada da seca, Fabiano pensa em resistir e permanecer na fazenda. A morte em número cada vez maior de animais, porém, faz com que decida fugir para outro lugar. Desconsolados, combinam partir de madrugada, para não encontrar o patrão com quem estavam endividados. Conversam para atenuar o sofrimento, enquanto caminham com a esperança de, um dia, alcançar um lugar onde “os meninos aprendessem coisas difíceis e necessárias”, um lugar “desconhecido e civilizado.”
Ficha de Leitura
* Estrutura da Narrativa: os capítulos são independentes e podem ser lidos em ordem aleatória, uma vez que foram produzidos como contos e publicados em jornais da época. Servem para dar unidade à narrativa apenas o primeiro e o último capítulos, respectivamente, “Mudança” e “Fuga”, que marcam o início e reinício do ciclo da seca.
* Foco Narrativo (onisciência prismática): narrador em terceira pessoa, em cada capítulo evidencia-se um protagonista e tudo é narrado segundo a visão de mundo da personagem em evidência.
* Tempo e Espaço : a realidade miserável do sertão nordestino e o sistema da seca como o agente antagônico da história, que torna a família de retirantes “vidas secas’, impossibilitadas de qualquer forma de ascensão. A história se passa no período entre duas secas e o romance é atemporal: tanto pode ser a década de 30 (época da publicação) como os dias atuais.
* Personagens : Fabiano, Sinhá Vitória, Menino Mais velho, Menino Mais Novo, Cachorra Baleia são os membros da família de retirantes e protagonistas da história. Observe-se o processo de animalização dos seres humanos e de antropomorfização da cachorra.
Patrão, Fiscal da Prefeitura e Soldado Amarelo são os agentes antagônicos, cada um, à sua maneira, explora a família de Fabiano.
* Elementos Estilísticos : -construção inovadora da narrativa, cujos capítulos , com exceção do primeiro e último, podem ser lidos em ordem aleatória;
- cuidado especial no tocante à linguagem – a família de retirantes tem dificuldades de fazer uso da linguagem verbal , comunicando-se através de sons guturais, grunhidos e monossílabos. Sua dificuldade de expressão é um dos grandes fatores que o condicionam à marginalidade, inclusive veem o domínio da língua como perigo e os pais censuram as crianças quando estas se demonstram questionadoras. No entanto o narrador explora seu fluxo de consciência através do discurso indireto livre. -
* Tema principal e secundários : O tema é o drama da seca no Nordeste, não só a seca como agente climático, mas o sistema social do local é responsável por produzir “Vidas Secas”. Temas secundários: coisificação ou exploração do homem como objeto do próprio homem, a falta de domínio da língua culta como fator de exclusão social, a incapacidade de verbalizar a revolta e reivindicar direitos sociais.
A família de retirantes, formada pelo vaqueiro Fabiano, Sinhá Vitória, dois filhos e a cachorra Baleia vara o sertão nordestino a procura de um lugar melhor. Desalentados pela fome e o cansaço, arrastam-se pelo solo empobrecido pela seca, levando consigo o pouco que lhes resta.
O filho menor cai, sem forças para continuar e o pai, irritado, coloca-o nas costas, penalizado com a condição da família. Procura saciar a fome, sacrificando o papagaio e o preá caçado por Baleia.
Invadem uma fazenda abandonada, onde, aliviado, Fabiano se julga homem, para, em seguida, considerar-se mais um “bicho”, capaz de vencer todas as dificuldades.” Passou a tomar conta de casa alheia, do gado que restava, entendendo-se com os animais e empregando a mesma linguagem restrita a grunhidos e monossílabos, para comunicar-se com os parentes.
Quando o dono da fazenda retorna, expulsa a família do vaqueiro, que se mostra prestativo e humilde e acaba conquistando a vaga de capataz.
Um dia, Fabiano vai à cidade fazer compras e, quando toma uma cachaça em um bar, é convidado para um jogo de cartas por um soldado amarelo. Perde todo o dinheiro e sai da partida acabrunhado. O soldado, dizendo-se ofendido, pelo abandono brusco do carteado, acaba ocasionando a prisão do vaqueiro, onde é impiedosamente surrado sem Ter como defender-se, amargando a revolta.
Sinha Vitória, que não consegue realizar seu sonho de possuir uma “cama de lastro de couro”, um dia revolta-se com a rotina doméstica, os filhos e a cachorra Baleia. Mas , em seguida, resolve conservar as esperanças, imaginando diversas maneiras de obtê-la, tornando-se quase feliz.
Ao chegarem as chuvas de inverno, a família se reúne ao redor do fogão para se aquecer. É quando as crianças ouvem a conversa monossilábica e confusa dos pais, sem poder entendê-los, porque a escuridão impede de observar seus gestos e expressões.
Enquanto Fabiano vê afastado o perigo da seca, Sinhá Vitória teme o perigo da enchente.
No Natal., a família, em trajes de passeio e calçando sapatos, vai à cidade. A sensação de desconforto gerada pelas roupas e calçados apertados aumenta quando, comparados aos tipos da cidade, sentem-se inferiorizados. Os meninos e a cachorra se mostram amedrontados em meio à multidão, enquanto sinhá Vitória participa da missa e Fabiano procura um bar para embebedar-se e assim, superar a humilhação.
Na fazenda, Baleia adoece e Fabiano se vê obrigado a sacrificá-la. Com o episódio de sua morte, fica clara a condição humana a que fora alçada a personagem pelos membros da família, que sentem a perda como a de um ente querido.
Ao acertar as contas com o patrão, Fabiano sente-se lesado, mas aceita passivamente a justificativa de que a diferença era por juros devido a adiantamento recebido. Fabiano se revolta, mas não reage.
As aves em partida anunciam a proximidade de nova seca. Os animais começam a tombar de fome e sede. Com medo do futuro, Fabiano começa a pensar no soldado amarelo e no dono da fazenda, a quem identifica como “governo”. Revoltado com sua impotência, julga-se um “cabra safado”.
Com a chegada da seca, Fabiano pensa em resistir e permanecer na fazenda. A morte em número cada vez maior de animais, porém, faz com que decida fugir para outro lugar. Desconsolados, combinam partir de madrugada, para não encontrar o patrão com quem estavam endividados. Conversam para atenuar o sofrimento, enquanto caminham com a esperança de, um dia, alcançar um lugar onde “os meninos aprendessem coisas difíceis e necessárias”, um lugar “desconhecido e civilizado.”
Ficha de Leitura
* Estrutura da Narrativa: os capítulos são independentes e podem ser lidos em ordem aleatória, uma vez que foram produzidos como contos e publicados em jornais da época. Servem para dar unidade à narrativa apenas o primeiro e o último capítulos, respectivamente, “Mudança” e “Fuga”, que marcam o início e reinício do ciclo da seca.
* Foco Narrativo (onisciência prismática): narrador em terceira pessoa, em cada capítulo evidencia-se um protagonista e tudo é narrado segundo a visão de mundo da personagem em evidência.
* Tempo e Espaço : a realidade miserável do sertão nordestino e o sistema da seca como o agente antagônico da história, que torna a família de retirantes “vidas secas’, impossibilitadas de qualquer forma de ascensão. A história se passa no período entre duas secas e o romance é atemporal: tanto pode ser a década de 30 (época da publicação) como os dias atuais.
* Personagens : Fabiano, Sinhá Vitória, Menino Mais velho, Menino Mais Novo, Cachorra Baleia são os membros da família de retirantes e protagonistas da história. Observe-se o processo de animalização dos seres humanos e de antropomorfização da cachorra.
Patrão, Fiscal da Prefeitura e Soldado Amarelo são os agentes antagônicos, cada um, à sua maneira, explora a família de Fabiano.
* Elementos Estilísticos : -construção inovadora da narrativa, cujos capítulos , com exceção do primeiro e último, podem ser lidos em ordem aleatória;
- cuidado especial no tocante à linguagem – a família de retirantes tem dificuldades de fazer uso da linguagem verbal , comunicando-se através de sons guturais, grunhidos e monossílabos. Sua dificuldade de expressão é um dos grandes fatores que o condicionam à marginalidade, inclusive veem o domínio da língua como perigo e os pais censuram as crianças quando estas se demonstram questionadoras. No entanto o narrador explora seu fluxo de consciência através do discurso indireto livre. -
* Tema principal e secundários : O tema é o drama da seca no Nordeste, não só a seca como agente climático, mas o sistema social do local é responsável por produzir “Vidas Secas”. Temas secundários: coisificação ou exploração do homem como objeto do próprio homem, a falta de domínio da língua culta como fator de exclusão social, a incapacidade de verbalizar a revolta e reivindicar direitos sociais.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Sentimento do Mundo
Carlos Drummond de Andrade (1940)
Contexto
Histórico
Sentimento do
Mundo foi publicado no ano de 1940, numa pequena tiragem de 150 exemplares os
quais foram distribuídos a amigos e outros escritores. Na época em fora escrito
por Drummond, o Brasil vivenciava o Estado Novo de Getúlio Vargas e no plano
internacional, houve o acirramento do Nacionalismo exacerbado e revanchismo
decorrente do desfecho da Primeira Guerra Mundial, as relações sociais e
políticas foram marcadas pelo surgimento e expansão das doutrinas do Nazismo e
Fascismo na Europa.
Assim, o Estado
Novo foi uma forma de regime ditatorial disfarçado pelo populismo, sendo
declarado por Vargas em 1937 assim como uma nova Constituição (a Polaca) que
ampliou o poder do presidente, desmobilizou os partidos de oposição e disputa
com o governo. Para fortalecer o regime, Vargas valeu-se da aprovação de
direitos trabalhistas e forte propaganda de manipulação/persuasão e Censura
(pelo Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP), chegando a ser apelidado de
“o pai dos pobres”, mas também ”mãe dos ricos”.
Assim o Movimento
intelectual e artístico foi marcado essencialmente pelo questionamento da
existência humana, do sentimento de “estar-no-mundo”, das inquietações social,
religiosa, filosófica, amorosa e etc. Carlos Drummond de Andrade é o poeta que
melhor representa o espirito dessa geração - conhecida como Geração de 30.
Sentimento
do mundo (livro), de Carlos Drummond de Andrade
Análise
Publicado pela primeira vez em 1940, Sentimento do mundo é o terceiro trabalho poético de Carlos Drummond de Andrade. Os poemas deste livro foram produzidos entre 1935 e 1940. São 28 no total. Traz o olhar do poeta sobre o mundo à sua volta, tendendo para um olhar crítico e significativamente político. É uma obra que retrata um tempo de guerras, de pessimismo e sobretudo, de dúvidas sobre o poder de destruição do homem.
Escrito na fase em que o mundo se recuperava da Primeira Guerra Mundial e em que já se encontrava iminente a Segunda Grande Guerra, com a imposição do Estado Novo de Getúlio Vargas e o crescimento do Nazi-fascismo, percebe-se em Drummond a luta, a contestação, pela palavra, das atrocidades que o mundo parecia aceitar (“Tudo acontece, menina / E não é importante, menina”). Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo.
Em Sentimento do mundo, Drummond revê o fazer poético. Amadureceu o poeta individualista de Alguma Poesia, tomando consciência do mundo, apesar de não se esquecer de seu coração.
O poeta de Sentimento do mundo constata que vive em “um tempo em que a vida é uma ordem”, que vive num mundo grande, onde os homens de “diferentes cores” vivem suas “diferentes dores” e que não é possível “amontoar tudo isso/num só peito de homem”. Ele constata, arrependido, que se voltou para si e para seus ínfimos problemas:
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre. ("Mundo grande", Sentimento do mundo)
Mais que constatar ele se recusa a ser "o poeta de um mundo caduco", a ser "o cantor de uma mulher, de uma história". O poeta não será uma ilha, mas cantará "o tempo presente, os homens presentes, / a vida presente" ("Mãos dadas","Sentimento do mundo"). O verso-cachaça dá lugar ao verso-combate, que alimenta o coração do poeta, para lhe dar forças para lutar:
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo, meu coração cresce dez metros e explode.
Ó vida futura! nós te criaremos. ("Mundo grande", "Sentimento do mundo")
Nos poemas de Sentimento do mundo, além do traço preciso e corrosivo, próprio da escrita de Drummond, há uma imensa preocupação com os rumos que tomam as pessoas enquanto seres humanos.
Nesta obra fica claro que o individualismo está mais próximo da concordância com o modelo da situação que do protesto e que, somente unidos (“Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”), através dos mesmos sentimentos, ainda que mal se compreendam (“Ele sabe que não é nem nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza...”), os homens conseguiriam modificar o mundo:
...as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez,
uma inocência, um perdão simples e macio...
Havemos de amanhecer ("A noite dissolve os homens")
Não há, entretanto, otimismo na visão do poeta. É sombria e pessimista a visão de mundo que se justapõe à esperança da revolução e da utopia. Assim, dor e esperança são os temas básicos que regem os poemas de Sentimento do Mundo. Uma dor, talvez, maior que a esperança que a contempla, ou talvez esta não esteja tão próxima dos homens. A dor é o "Sentimento do Mundo"; dor de todos os homens e que se concentra em um só – o poeta:
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo
mas estou cheio de escravos
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor. ("Sentimento do mundo)
E, então, ele, o poeta, sente-se responsável pelas pessoas a sua volta; sofre por elas; sente-se elas. Como se vê em:
É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.
(...)
("Poema da necessidade")
O "nós" é muito empregado em Sentimento do Mundo e é através do "nós" que surgirá a esperança. Ressalte-se que ela, a Esperança, nunca está no presente, mas, sempre, no futuro, virá. Vem, assim como a dor, personificada em imagens possíveis de se encontrar em nosso cotidiano: o sorriso do operário, que caminha firme ("Vejo-o que se volta e me dirige um sorriso úmido"); a aurora, que dissolve a noite que traz o sofrimento ("Aurora, / entretanto eu te diviso, ainda tímida, / inexperiente das luzes que vais acender"); o soluço de vida, que resiste ao verme roedor de lembranças:
Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,
em que todos se debruçavam
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.
Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes
e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos.
Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava
Que rebentava daquelas páginas. ("Os mortos de sobrecasaca")
Assim, os temas políticos, o sofrimento do ser humano e as guerras, a solidão, o mundo frágil, os seres solitários predominam. A dor humana está lá; o eu-lírico se resguarda e canta o outro, tão mais importante que ele próprio.
Publicado pela primeira vez em 1940, Sentimento do mundo é o terceiro trabalho poético de Carlos Drummond de Andrade. Os poemas deste livro foram produzidos entre 1935 e 1940. São 28 no total. Traz o olhar do poeta sobre o mundo à sua volta, tendendo para um olhar crítico e significativamente político. É uma obra que retrata um tempo de guerras, de pessimismo e sobretudo, de dúvidas sobre o poder de destruição do homem.
Escrito na fase em que o mundo se recuperava da Primeira Guerra Mundial e em que já se encontrava iminente a Segunda Grande Guerra, com a imposição do Estado Novo de Getúlio Vargas e o crescimento do Nazi-fascismo, percebe-se em Drummond a luta, a contestação, pela palavra, das atrocidades que o mundo parecia aceitar (“Tudo acontece, menina / E não é importante, menina”). Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo.
Em Sentimento do mundo, Drummond revê o fazer poético. Amadureceu o poeta individualista de Alguma Poesia, tomando consciência do mundo, apesar de não se esquecer de seu coração.
O poeta de Sentimento do mundo constata que vive em “um tempo em que a vida é uma ordem”, que vive num mundo grande, onde os homens de “diferentes cores” vivem suas “diferentes dores” e que não é possível “amontoar tudo isso/num só peito de homem”. Ele constata, arrependido, que se voltou para si e para seus ínfimos problemas:
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre. ("Mundo grande", Sentimento do mundo)
Mais que constatar ele se recusa a ser "o poeta de um mundo caduco", a ser "o cantor de uma mulher, de uma história". O poeta não será uma ilha, mas cantará "o tempo presente, os homens presentes, / a vida presente" ("Mãos dadas","Sentimento do mundo"). O verso-cachaça dá lugar ao verso-combate, que alimenta o coração do poeta, para lhe dar forças para lutar:
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo, meu coração cresce dez metros e explode.
Ó vida futura! nós te criaremos. ("Mundo grande", "Sentimento do mundo")
Nos poemas de Sentimento do mundo, além do traço preciso e corrosivo, próprio da escrita de Drummond, há uma imensa preocupação com os rumos que tomam as pessoas enquanto seres humanos.
Nesta obra fica claro que o individualismo está mais próximo da concordância com o modelo da situação que do protesto e que, somente unidos (“Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”), através dos mesmos sentimentos, ainda que mal se compreendam (“Ele sabe que não é nem nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza...”), os homens conseguiriam modificar o mundo:
...as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez,
uma inocência, um perdão simples e macio...
Havemos de amanhecer ("A noite dissolve os homens")
Não há, entretanto, otimismo na visão do poeta. É sombria e pessimista a visão de mundo que se justapõe à esperança da revolução e da utopia. Assim, dor e esperança são os temas básicos que regem os poemas de Sentimento do Mundo. Uma dor, talvez, maior que a esperança que a contempla, ou talvez esta não esteja tão próxima dos homens. A dor é o "Sentimento do Mundo"; dor de todos os homens e que se concentra em um só – o poeta:
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo
mas estou cheio de escravos
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor. ("Sentimento do mundo)
E, então, ele, o poeta, sente-se responsável pelas pessoas a sua volta; sofre por elas; sente-se elas. Como se vê em:
É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.
(...)
("Poema da necessidade")
O "nós" é muito empregado em Sentimento do Mundo e é através do "nós" que surgirá a esperança. Ressalte-se que ela, a Esperança, nunca está no presente, mas, sempre, no futuro, virá. Vem, assim como a dor, personificada em imagens possíveis de se encontrar em nosso cotidiano: o sorriso do operário, que caminha firme ("Vejo-o que se volta e me dirige um sorriso úmido"); a aurora, que dissolve a noite que traz o sofrimento ("Aurora, / entretanto eu te diviso, ainda tímida, / inexperiente das luzes que vais acender"); o soluço de vida, que resiste ao verme roedor de lembranças:
Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,
em que todos se debruçavam
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.
Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes
e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos.
Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava
Que rebentava daquelas páginas. ("Os mortos de sobrecasaca")
Assim, os temas políticos, o sofrimento do ser humano e as guerras, a solidão, o mundo frágil, os seres solitários predominam. A dor humana está lá; o eu-lírico se resguarda e canta o outro, tão mais importante que ele próprio.
Marcadores:
#carlosdrummond,
#drummond,
#fichadeleitura,
#fuvest,
#leiturafuvesteunicamp,
#literatura,
#livros,
#resumo,
#sentimentodomundo,
#unesp,
#unicamp,
#vestibulando,
#VESTIBULARES
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
O Cortiço
Aluísio Azevedo , 1890
O romance
focaliza a ascensão de um português, João Romão, dono de um cortiço e uma
pedreira cujos empregados, além de morar nos casebres por ele alugados,
endividam-se ao comprar fiado em sua
venda. Através dessa exploração, João Romão vai-se enriquecendo, auxiliado por
sua amante e empregada, Bertoleza, para quem ele havia providenciado uma falsa
carta de alforria.
O maior
desejo do vendeiro é conseguir boa posição social, além da fortuna, como seu
patrício Miranda, que mora no sobrado
encostado ao cortiço e é vítima da
inveja de Romão, por seus costumes refinados. Movido pela ambição, o
protagonista não hesita em usar os meios para acumular fortuna, roubando nos
pesos e nos trocos. Assim acumularia riqueza para ficar noivo da filha do
Miranda.
Enquanto
ocorre o processo de ascensão de João Romão, são focalizados outros
personagens, centros de pequenos enredos, mas que, no todo, funcionam como
instrumentos para a máquina de renda do proprietário do cortiço. São lavadeiras,
prostitutas, operários da pedreira, todos representantes de uma população
marginal que vive em um ambiente degradado e corruptor.
O cortiço é
o meio que parece adquirir vida própria, um personagem maior, que condiciona o
comportamento dos que ali moram, como é o caso de Pombinha, menina inocente
criada em colégio interno, não resistindo Às pressões do meio, é levada à
prostituição, por Leónie, sua madrinha, com quem também desenvolve um
relacionamento homossexual. O mesmo se dá com Jerônimo, o colono português,
mestre de obras da pedreira que, vindo morar no cortiço com a esposa Piedade é
arrebatado por uma paixão violenta por Rita Baiana, abandonando a família e a
vida regrada que vivia, tornando-se marginal e homicida.
Depois de
um incêndio no cortiço, motivado por uma vingança do cortiço Cabeça de Gato (
vingança à morte do Firmo, ex – amante de Rita ), João Romão transforma-o na
“Avenida São Romão”, com uma aparência cuidada
e ordeira, enquanto a população mais baixa e miserável se reúne em outro
local, reproduzindo a situação inicial do “Cortiço São Romão”, como se houvesse
um ideal de preservar a típica estalagem fluminense, onde há um rolo e um samba
por noite, onde se matam homens sem a polícia descobrir , viveiro de larvas ou
animais no brejo de lodo quente e fumegante, fazendo brotar vidas miseráveis em
meio à podridão.
Ao chegar À
plena ascensão, ampliando a venda, reformando a casa, que ostentava mais do que
o sobrado, refinando seus hábitos e maneira de vestir-se, João Romão prepara-se
para tomar como esposa a filha do Miranda. Era preciso , então, livrar-se de
Bertoleza, traste que lhe servira em outra época e agora adiava sua felicidade.
Assim, denuncia sua fuga aos antigos
donos, que vão buscá-la com a polícia. A escrava, percebendo a traição,
suicida-se.
Em seguida,
pára uma carruagem na porta do vendeiro, trazendo-lhe o título de sócio
benemérito de uma entidade abolicionista
Ficha de Leitura :
Personagens
: Todos são tipos, apresentados
como problema social urbano na realidade inferior do Rio de Janeiro. Do cortiço
saem personagens que estão sempre vinculados ao grupo e cuja ação resulta do
meio a que fazem parte. A narrativa se constrói em lutas, porém entre membros
de uma mesma classe: a burguesia dos dois sobrados e a popular dos cortiços.
Ganância x ganância, exploração x exploração ( Miranda e João Romão), cada qual
procurando explorar o máximo seus semelhantes. Enquanto no espaço do cortiço
destaca-se a luta entre o capoeira brasileiro e a força bruta do português (
Firmo e Jerônimo), a mulata sensual contra o provincianismo da portuguesa (
Rita Baiana e Piedade), as donzelas contra a prostituição favorecida elo meio (
Pombinha e Léonie)
Narrador: em terceira
pessoa, onisciente, seu propósito crítico é mostrar as mazelas morais e sociais
dos habitantes de um cortiço, no Rio de Janeiro, segunda metade do século XIX,
fundamentando-se na corrente determinista de Hypolite Taine, segundo a qual o homem é produto do meio, da raça e
do momento histórico.
Tempo e
Espaço: embora a obra tenha sido publicada em 1890, retoma os anos imediatamente
anteriores à abolição da escravatura e à Proclamação da República no Brasil ,
mostrando um Rio de Janeiro que se urbanizava desordenadamente.
Gênero da
Obra: Naturalismo – o meio social é mais importante do que o homem e
condiciona o seu caráter. Mostra uma sociedade, doente, patológica e sem
conserto. Todos os que se submetem a morar no cortiço são corrompidos pelo meio
corruptor.
O percurso de ascensão de
João Romão fundamenta-se na Lei de Seleção Natural de Darwin , ou lei da
sobrevivência do mais forte. É Assim que João Romão se apodera do Cortiço, de
Bertoleza e da pedreira como veículos que lhe garantem a plena ascensão social.
Daí vem a mudança de hábito, o noivado com Zulmira e a denúncia de Bertoleza
aos seus donos, livrando-se do traste para que pudesse se casar com a jovem
burguesa, filha do Miranda.
Assinar:
Postagens (Atom)